Sendo esta minha reflexão um tanto um quanto genérica talvez seja interessante que cada um de nós paremos diante de um espelho pelo menos 1 vez por dia para que nos questionemos - O que eu estou fazendo!?
A vida já é dura demais com aqueles que prezam por algo um pouco mais decente, não seria possível deixar as picuinhas de lado e começarmos a nos comportar como seres humanos !?
Não sei o que é necessário para que isso aconteça, talvez um pouco mais de frugalidade ou simplicidade, sem tanto egoísmo, sem tanto ódio.
Um livro que muito me apetece chama-se Vidas Secas de Graciliano Ramos que retrata bem esta indagação que vos faço.
Várias faces de todas as personagens são expostas por Graciliano Ramos de tal forma que nos apegamos a muitas dessas "imagens" criadas pelo autor e narradas em terceira pessoa carregadas um efeito de verossimilhança incrível.
Dentre muitas dessas imagens encontramos a de Fabiano que é a que mais me espanta, já que diante de uma realidade tão cruel como a do Nordeste do fim do Império - não que hoje com a nova República seja muito diferente - ele não se revolta ou melhor não tem condições de se revoltar. Vejamos o porque...
Convido-o, caro leitor a reflexão interna como a que o narrador realiza pelos personagens em Vidas Secas.
Fabiano, como uma vitima da sociedade capitalista, é um marginal excluído pelo estado e desamparado pelos "cidadãos" desta tão nobre nação chamada Brasil. Enquanto ser humano Fabiano se indaga sobre seu real propósito de existir seria ele um homem, um animal ou um bicho !?
O que levaria um homem, diante de tamanha brutalidade imposta pelo meio que o cerca, a não se revoltar contra o "sistema"!?
Uma possível resposta para essa pergunta seria sim a falta de conhecimento, ou seja um individuo marginalizado intelectualmente, o que na prática o impediria de fazer reflexões mais apuradas já que lhe faltam diferentes "pontos de vista"/argumentos necessários para apurar um fato, criando versões deste.
Fabiano é limitado pelo conhecimento, contudo não é isso que faz com que ele deixe de se perguntar sobre o que é certo e o que é errado. Em busca de melhores condições de subsistência ele tenta mesmo que de maneira frágil proteger sua familia e assegurar-lhes um minimo de conforto conseguindo "comida".
Talvez o problema seja este "conforto" que não se reflete como algo tão humanamente confortável, levando em conta o enredo da estória, Sinhá Vitória apoiada pelo marido mata o papagaio de estimação da familia para satisfazer a necessidade mais básica de um individuo, acabar com a fome.
Imaginar o confronto que essas pessoas travam diariamente diante de uma realidade expressa pela dor de estômago, não é fácil considerando os alicerces que hoje a classe média possui após a estabilidade econômica.
Por mais genérica que tenha sido esta minha viagem de hoje, encerro indagando: O que, hoje, nos falta é um sistema educacional decente ou as condições básicas requisitadas por uma individuo, como comida, para que o país cresça!?